quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A primeira raça

    Algo deixava Kylasys inquieto por mais que tudo estivesse tranquilo, sua filha Beyemond sobre controle, todas as criaturas que habitavam o mundo eram pacíficas em relação aos deuses, tinha uma deusa que lhe amava e lhe satisfazia em seus desejos sem que ele percebe-se, parecia que lhe faltava algo , algo que ele desconhecia, mas que lhe deixava com um vazio dentro de si. Os ciclors foram passando e este vazio só aumentava - "Por quê sinto algo um sentimento tão excruciante, que me consome toda a vontade de existir e que não sei a origem de tal" - pensou o poderoso deus - "Sou aquele que a tudo criou, sou aquele que tudo tem quando deseja, o que me falta?". Essas questões e muitas outras foram lhe atormentando e fazendo-o se distancias de Raianna que apenas o seguia em silêncio, mas que nunca tinha recebido da mesma maneira o amor intenso que tinha por ele.
   Depois de tanto tempo meditando e pensando o que lhe faltava, foi durante uma interação com uma de suas criaturas que ele percebeu, ele precisava de um povo, um povo o qual se comunicasse com ele e lhe adorasse por ser quem ele é, um povo o qual seria livre para pensar da maneira que desejasse, um povo que ele não controlaria as ações, apenas os governaria do jeito que sempre imaginou. Sozinho ele não conseguiria criar todos os seres que desejava criar, então decidiu pedir ajuda as forças que ele e Raianna havia criado, forças que ele nem ela controlavam, forças que por si só controlavam a natureza de nosso mundo e nunca se permitiram comandar, os elementais e este foi seu primeiro erro. Com o poder dos elementais com certeza ele criaria seu povo perfeito, uma raça que seria diferente dele, seria mortal, sofreria do ciclo da vida e da morte e apesar de diferentes eles seriam seus filhos e por esta terra reinariam e só seriam inferiores a ele.
   Determinado a criar esta nova espécie de criatura, ele se locomoveu até o que seria considerado o centro de todo o mundo, lá os elementais possuíam mais poder, pois foi onde Raianna e Kylasys criaram o mundo. Ao chegar ao local ele sentiu o poder dos elementais com mais força então gritou ordenando-lhes:
-Elementais! Eu sou teu criador! Sou aquele que lhes deu vida e lhes deu poder! Deixei-os livres para serem como desejar, mas agora invoco teu poder para me auxiliar em minha obra!
- Somos livres Kylasys - Respondeu uma voz áspera e sem emoção.
- Você nos criou, mas não nos controla - Uma voz rouca e vagarosa interrompeu a anterior.
- Sua obra terá de esperar, se usar de nossas forças a ordem que mantemos será desfeita e o caos nascerá. - Uma voz calma e feminina sussurrou para o grandioso deus.

- Não ouse fazer nada conosco! Se tentar realmente vai se arrepender! - outra voz ecoa pelo ambiente, uma voz rebelde e cheia de ódio.
Estas respostas revoltaram-no e então em grande fúria ele respondeu e brandiu seus braços clamando todo seu poder.
- Eu que vos criei! Eu que lhes dei a vida! Eu sou seu mestre e seu senhor! Vocês me devem a vida e agora vou tomar parte delas para minha criação! E se tentarem se recusar de alguma maneira irei para sempre extinguir sua existência!


   Foi então que começou a criação desta nova raça, ele usou quase todo o poder dos elementais para fazê-lo pois precisava que sua nova criação fosse perfeita e em completo estado de concentração não percebeu o erro que havia cometido. Em comunhão eles conversaram entre si e influenciaram na criação diretamente.
- Darei minha energia contra minha vontade - disse com a voz áspera e sem emoção que pertencia ao elemental da terra - Darei forma aos seus corpos e eles serão como Kylasys, porém sua carne será frágil e seus corpos irão apodrecer com o passar dos ciclors até que encontrem seu fim pela idade ou pela doença. E a voz se silenciou.
- Contra toda minha razão e calma irei emprestar minha energia contra minha vontade. - disse a voz rouca e sem emoção que pertencia ao elemental do vento - Lhes darei mobilidade, lhes darei a liberdade e vou lhes permitir serem criativos com tudo o que há no mundo, mas vou lhes deixar dependentes de mim, sem mim não irão viver banindo-lhes de qualquer lugar onde eu não exista, e esta dependência irá acelerar seu processo de apodrecimento. E a voz se silenciou.

- Fico triste que deixou seu ódio tomar conta de sua pessoa e mesmo contra minha vontade lhe darei minha essência - disse a voz calma e feminina que pertencia ao elemental da água. - Lhes darei inteligência porém nasceram sem ela, lhes darei a serenidade porém eles terão que aprender a conquistá-la, lhes darei força para todos os dias porém terão que consumir parte de meu corpo todos os dias ou começarão a definhar, serão encantados por mim porém não poderão viver onde apenas eu existir, as criaturas que habitam em mim os verão como alimento. E a voz se silenciou.
- Me ameaçando apenas aumentou minha fúria, me obrigando a dar minha preciosa existência a estas tuas criaturas me fez ter ódio, irei dar a energia que precisar mas serei cruel com elas. - disse a voz rebelde e completa de ódio que pertencia ao elemental de fogo. - Serei aquele que lhes dará o calor para que nunca passem frio porém sempre precisarão estar quentes ou irão perecer, serei aquele que lhes cozinhará o alimento porém se não tiverem cuidado sairei de controle e irei consumi-los, serei aquele que lhes trará a paixão que lhe vai consumir a razão e assim conseguirão se procriar porém serei aquele que lhes trará o ódio que quando lhe consumir a razão será o princípio da sua própria destruição! - a voz então se silenciou.

   Por muito ciclors Kylasys trabalhou em sua obra isolado de todos, ele não permitira que ninguém lhe atrapalhasse se enclausurando em uma redoma de energia, nem mesmo Raianna conseguia passar por esta e isso entristeceu profundamente a deusa que permanecia do lado de fora da redoma esperando por seu amor, até que um dia enfim ele completou sua criação, ele criara um grupo de quarenta novas criaturas, separadas em partes iguais entre dois gêneros para que assim pudessem procriar.
- Está pronto, eu lhes darei o nome de humanos! Esta será sua raça e esta dominará toda a extensão de meu mundo, ninguém será superior a vocês e todos as criaturas já existentes servem apenas para o propósito de lhes servir, seja como alimento seja para qualquer outro motivo! Vão meus filhos e povoem este mundo que com tanto esforço criei!

   Você fecha o livro após ler a última página que contava a criação do mundo até a criação da primeira raça mortal, exausto porém feliz você se levanta vagarosamente e guarda o livro no espaço da estante que estava disponível, sua fome é tão grande que parece que suas entranhas estão se devorando para suprir sua necessidade de alimento, você se apressa para chegar logo a seu quarto e conforme se aproxima já sente o cheiro maravilhoso de uma saborosa refeição que lhe espera na temperatura certa. "Que maravilha" você suspira e adentra seu quarto onde a refeição está, deleitando-se da mesma você passa os próximos momentos apenas se alimentando até que então quando termina, você retira suas vestes e deita-se na sua cama dormindo quase que de maneira imediata devido a exaustão.

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